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O papel missionário em situações de guerra e injustiça social

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O fato é que a guerra e a injustiça social só existem por causa da Queda (Gn 3), mas nem por isso, como igreja, podemos fechar os olhos diante de tamanhos desafios e oportunidades de exercer nosso papel missionário. Pois, ser indiferente ante os contextos de guerra e injustiça social não é algo cristão.
Afinal, a missão da igreja é uma missão de paz e justiça, dois temas vinculados tanto ao AT como ao NT. John Stott, o maior teólogo da segunda metade do século XX, falando sobre o legado evangélico do compromisso social, disse: “O avivamento evangélico, que revolucionou ambos os continentes, não pode ser visto apenas em termos de pregação do evangelho e conversão de pecadores a Cristo; ele suscitou também uma vasta filantropia e afetou profundamente a sociedade nos dois lados do Atlântico.”
O livro do profeta Isaías mostra que onde não há justiça, não há paz: “E o efeito da justiça será paz, e a operação da justiça, repouso e segurança para sempre” (Is 32.17). Vemos na Carta de Tiago mais do que em qualquer outro lugar do NT, um exemplo extremo de severidade no que refere ao trato para com a discriminação social e opressão econômica (confira os textos de Tg 2.1-4, 6, 15-17 e 5.1-6).
Quando acompanhamos a história da igreja vemos homens como Martinho Lutero, que afirmou que o dado religioso se constrói na história em meio aos fenômenos sociais, políticos e econômicos; João Calvino, que fez sérias denúncias sobre os pecados sociais, falando sobre a estocagem de alimentos que visam ao enriquecimento de poucos, denunciando a especulação financeira oriunda do egoísmo e da avareza do ser humano; Jonathan Edwards, que dizia que para se experimentar uma transformação social e cultural é preciso exaltar a Cristo; John Wesley, que segundo historiadores, foi um dos principais responsáveis em poupar a Inglaterra dos horrores de uma revolução sangrenta que ocorreu na França; William Wilberforce, que lutou no Parlamento inglês a favor da abolição da escravatura; Abraham Kuyper, que como primeiro ministro da Holanda dizia que a felicidade social e liberdade humana derivam-se totalmente de Deus; C.S. Lewis, que durante a Segunda Guerra Mundial, foi convidado pela BBC para dar uma série de palestras por rádio para a população britânica, explanando sobre o que é o cristianismo (mais tarde, estas palestras transformaram-se no livro “Cristianismo Puro e Simples”). Seus discursos tinham a função de falar de Deus num momento em que as pessoas viviam dentro de conflitos armados. E Dietrich Bonhoeffer, que passou a ver a vida sob a perspectiva daqueles que sofrem, a ponto de opor-se radicalmente ao nazismo, algo que lhe custou a vida. Observe que todos esses homens foram pregadores da Palavra (missionários, pastores, teólogos, escritores, etc.), pois criam que antes de qualquer coisa, eles eram embaixadores de Deus na terra, que nenhuma transformação significativa acontece sem o verdadeiro evangelho.
Algumas ações que devem ser tomadas pela igreja:
  1. Convencer-se de que a justiça e a paz social é um compromisso inerente ao cristão, pois quem leva a Bíblia a sério obriga-se a levar também a sério as situações de injustiça social e guerra.
  2. Reconhecer que precisa duma mudança e que é semeadora de transformação.
  3. Atuar na política positivamente, elaborando leis de justiça social no papel e no modo de viver e em tratados de paz.
  4. Acompanhar, animar, escutar, chorar e falar àqueles que são vítimas de guerras e de injustiças sociais.
Porém, aqui fica um questionamento: se ao estudarmos a história dos avivamentos vemos transformações significativas que ocorreram acompanhadas pela pregação do evangelho, por que não vemos um forte impacto social provocado pelo número de cristãos no Brasil? Qual mensagem está sendo pregada em solo brasileiro? Ela tem promovido justiça social e paz?
Não podemos nos esquecer de que a justiça de Deus não falha, não inocenta o culpado nem culpa o inocente, não é negociada nem comprada e muito menos subornada. Todos os que torcem a justiça como os que promovem guerras terão de se apresentar ao Juiz de toda terra. Não haverá delação premiada nem foro privilegiado. Cada um dará conta de si a Deus. E também devemos lembrar de que o efeito da justiça é paz; e a intervenção da justiça, trégua e segurança para sempre.
Nos laços do Calvário que nos une,
Luciano Paes Landim.

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